Invocando o décimo preceito do decálogo de Lênin
ARMAS HISTÓRICAS DA POLÍCIA MILITAR DE SÃO PAULO PODEM SER DESTRUÍDAS
Chegou-nos a informação que vários batalhões históricos da Polícia Militar de São Paulo haviam recebido ordens de recolher e entregar armas históricas que ficam nestes locais e recordam épocas e situações, ajudando a contar a história da corporação desde o longínquo ano de 1831.
O que inicialmente se tratava de mais um boato, tão comuns na Internet, se revelou uma triste verdade. A justificativa apresentada, não oficialmente, é de que para adquirir armamento novo, a PMSP precisa necessariamente se desfazer de armamento não utilizado ou obsoleto.
Aproximadamente dois meses atrás mais de 1.800 fuzis Mauser foram recolhidos e encaminhados ao Exército para as devidas providências. Grande parte destes fuzis estava ainda em suas caixas originais.
O Museu da Polícia Militar de São Paulo, não tem capacidade para absorver os armamentos descartados, ou por falta de espaço ou por já possuir exemplar dos mesmos.
Como explica o Tenente Coronel Reformado da Policia Militar do Estado de São Paulo e diretor do Museu, Álvaro Guimarães dos Santos
“No caso das corporações policiais militares esses testemunhos históricos materiais estão representados por bens imóveis, como as edificações dos quartéis, campos de treinamentos, monumentos históricos e artísticos, dentre outros, e os bens móveis, que reúnem todo e qualquer tipo de artefato produzido pelo homem para o desempenho de suas atividades profissionais.”
Assim, não faz o menor sentido, abrir mão de armas históricas que se encontram orgulhosamente preservadas nos batalhões em prol da necessidade de compra de armamento moderno. Há de haver uma saída, basta a nosso ver, boa vontade.
De qualquer forma, não estamos aqui esperando que um batalhão fique com milhares de fuzis Mauser estocados e para isso existe a figura legal do Colecionador de Armas, que de acordo com o chamado R-105 e classificado:
Art. 4º Considera-se Colecionador de armas, munições, armamento pesado e viaturas militares a pessoa física ou jurídica possuidora de Certificado de Registro no Exército, que se habilite a ter e manter, em segurança, armas de variados tipos, marcas, modelos, calibres e procedências, suas munições e acessórios, armamento pesado e viaturas militares de variados tipos, modelos e procedências, bem como seu armamento, equipamentos e acessórios, de forma a ter uma coleção que ressalte as características e a evolução tecnológica dos diversos períodos, preservando o patrimônio histórico nacional e estrangeiro. (grifo nosso).
Infelizmente, há mais de 15 anos, armamentos não são disponibilizados para leilões para tais colecionadores por uma questão meramente político-ideológica. Assim, hoje, milhares de armas estão estocadas nos quartéis do Exército e não raramente correm o risco de serem destruídas, como aconteceu em 2009.
Ou então, quando de propriedade do fabricante estatal IMBEL, acabam sendo vendidas em grandes lotes para outros países, como os EUA, fazendo a felicidade daqueles cidadãos que parecem ser mais merecedores de confiança que nós, brasileiros pagadores de impostos.
Destino amargo para nós, mas muito mais glorioso para as armas, aqui acabariam aqui no Brasil, derretidas em fornos ou embaixo de um trator em mais um show promovido pelos desarmamentistas.
O que queremos, nós, que verdadeiramente nos preocupamos com a história contada e presenciada por essas armas?
1 – Que os batalhões das policias militares e das polícias civis de todo o país possam e sejam incentivadas a manter acervos históricos de seu armamento.
2 – Que as milhares de peças estocadas e sem interesse pelo Estado sejam liberadas para leilões de colecionadores devidamente cadastrados.
Seria pedir muito? Talvez seja… Afinal estamos em um país onde o Estado não confia em seus cidadãos.
Acho que nossos governantes então acham que ele deve estar sendo mais bem cuidado por um cidadão norte-americano do que por um brasileiro

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